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sábado, 23 de abril de 2016

Pergunta 213 – Garantias de cura nas neurofibromatoses?


“Soube que em São Paulo, uma oncologista/geneticista está fazendo tratamento com bloqueadores. Este tratamento é similar a uma quimioterapia. Informaram-se que na maioria das vezes a pessoa fica curada da NF. Os fibromas param de crescer e até diminuem. Gostaria de saber a real veracidade dessa notícia”. MISC, de São Paulo.

Cara MI, obrigado pelo seu contato. Diversas pessoas têm me enviado perguntas sobre este possível tratamento que estaria sendo realizado em São Paulo e alguns dos leitores dizem que ouviram falar que há 100% de sucesso com o tal medicamento bloqueador dos neurofibromas.

Todos nós torcemos para que algum dia tenhamos um medicamento capaz de evitar o crescimento dos neurofibromas e dos demais tumores que podem acontecer nas pessoas com neurofibromatoses (especialmente os neurofibromas cutâneos, os plexiformes, os gliomas, os schwannomas, os meningiomas – quais destes estão sendo tratados com o suposto medicamento?).

No entanto, sua pergunta (e dos demais leitores) não me permite saber do que se trata exatamente, pois não há o nome da pessoa responsável, ou da instituição de saúde ou do medicamento utilizado. Portanto, não tenho como enviar informações seguras sobre esta questão.

Devo lembrar o eu já escrevi neste blog (VER AQUI) sobre as dificuldades existentes para a descoberta de um medicamento capaz de impedir o crescimento dos tumores nas pessoas com NF.

Diante da maioria dos problemas de saúde e seus possíveis tratamentos, creio que é preciso desconfiarmos de quaisquer promessas de “100% de cura” ou tratamento garantido “sem efeitos colaterais”, porque isto praticamente não existe em medicina.

Um médico que prometa 100% de bons resultados pode estar numa das seguintes condições:

1) Ou ele ainda não tem experiência suficiente para ver aqueles casos que não respondem ao tratamento (porque acontecem erros inevitáveis e as pessoas são diferentes entre si);

2) Ou ele não consegue ver os resultados negativos, porque não está preparado cientificamente para trabalhar com a medicina baseada em evidências;

3) Ou ele sabe que há resultados negativos, mas não os revela para não perder clientes, prestígio ou dinheiro.

Em quaisquer destas condições, é sempre prudente ouvir uma segunda opinião.

Bom final de semana.